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Kudzu reduziu dias de excesso de álcool em ensaio clínico

Ensaio com 120 adultos: extrato de kudzu antes de beber reduziu dias de excesso de álcool. Resultado é preliminar e não vale para produtos à venda.

Redação Integrativa 5 min de leitura
Copo de água, xícara de chá e fatias secas de raiz de kudzu sobre mesa de madeira

Um extrato padronizado de kudzu, planta usada há séculos na medicina tradicional chinesa, reduziu o número de dias de consumo excessivo de álcool em adultos com transtorno por uso de álcool. O resultado vem de um ensaio clínico randomizado de fase 2b, controlado por placebo, conduzido pela Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) e publicado em 4 de novembro de 2026 no American Journal of Psychiatry.

O estudo acompanhou 120 adultos que bebiam em excesso pelo menos uma vez por semana. Pela definição usada na pesquisa, isso significa cinco doses ou mais numa mesma ocasião para homens e quatro ou mais para mulheres. Metade recebeu o extrato de kudzu e metade, cápsulas de placebo, sem que participantes, profissionais ou pesquisadores soubessem quem tomava o quê. O trabalho foi financiado pelo Instituto Nacional sobre Abuso de Álcool e Alcoolismo dos Estados Unidos (NIAAA).

O que o estudo encontrou

A proposta não era um remédio diário. Durante 12 semanas, os participantes tomavam o produto (2 gramas de kudzu padronizado, segundo o registro do ensaio) cerca de duas horas e meia antes de uma ocasião em que esperavam beber muito. Os dois grupos também tiveram sessões semanais curtas de aconselhamento sobre o consumo de álcool.

Os números ao fim do tratamento:

  • No grupo do kudzu, a média de dias de consumo excessivo por semana caiu de 2,15 para 1,42. No grupo placebo, foi de 2,15 para 2,06.
  • A proporção de semanas com algum episódio de consumo excessivo caiu de 88% para 58% com o kudzu, e de 88% para 81% com o placebo.
  • Três meses depois do fim do tratamento, quem tinha usado kudzu ainda apresentava significativamente menos dias de consumo excessivo do que o grupo placebo.

Segundo os autores, os efeitos colaterais não foram mais comuns com o kudzu do que com o placebo, e nenhum efeito grave foi associado ao tratamento. Os pesquisadores levantam a hipótese de que beber menos durante o tratamento pode ter ajudado os participantes a repensar a relação com o álcool e a se sentir mais confiantes para reduzir o consumo.

“O consumo excessivo de álcool é muito comum, mas não temos muitas ferramentas para oferecer a quem quer diminuir”, afirmou o autor principal, Glenn-Milo Santos, professor da UCSF, ao divulgar o estudo.

Como isso se conecta à saúde integrativa

O estudo é um bom exemplo do que a saúde integrativa propõe quando é feita com rigor: uma planta de uso tradicional testada com o mesmo método exigido de qualquer medicamento, com sorteio, placebo e cegamento. E o kudzu não foi usado sozinho. Os dois grupos receberam acompanhamento semanal, ou seja, a planta entrou como parte de um cuidado, e não como substituta dele.

Também chama a atenção o desenho flexível. Em vez de exigir abstinência total, o ensaio trabalhou com a redução de danos: tomar o extrato antes das situações de maior risco. Para muitas pessoas, diminuir o excesso é um primeiro passo possível, e isso conversa com o olhar para a pessoa inteira, com sua rotina, seus contextos e seus objetivos.

A Centers for Disease Control and Prevention (CDC), agência de saúde pública dos Estados Unidos, lembra que o consumo excessivo numa mesma ocasião está ligado a acidentes de trânsito, quedas, afogamentos, violência e intoxicação alcoólica, além de riscos na gravidez. Reduzir esses episódios, portanto, tem valor por si só.

O que ainda não se sabe

  • É um ensaio de fase 2b, com 120 pessoas. Os próprios autores dizem que estudos maiores são necessários para confirmar o resultado em populações mais amplas.
  • O público era bem específico. Pelo registro do ensaio, os participantes eram adultos de 18 a 70 anos, sexualmente ativos e com risco aumentado de infecção pelo HIV, recrutados em São Francisco. Não se sabe se o efeito seria o mesmo em outros grupos.
  • O produto era um extrato padronizado. Os pesquisadores alertam que os produtos de kudzu vendidos livremente variam, e o resultado não pode ser transferido para eles.
  • O registro do ensaio lista um evento adverso grave no grupo do kudzu (1 em 60) e nenhum no placebo. Segundo os autores, nenhum efeito grave foi relacionado ao tratamento.
  • Uma ficha técnica do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, centro oncológico de Nova York, afirma que os estudos anteriores com kudzu em humanos eram pequenos e que uma revisão sistemática não encontrou benefício claro. O novo ensaio acrescenta evidência, mas não encerra a questão.

Na prática

Natural não é sinônimo de inofensivo. A mesma ficha do Memorial Sloan Kettering descreve relatos de alterações no sangue e no fígado em um estudo pequeno, um caso de inflamação nos rins e possíveis interações do kudzu com medicamentos como tamoxifeno, metotrexato e remédios para diabetes, além de efeito semelhante ao do estrogênio. Por isso, a instituição contraindica o kudzu para pessoas com câncer sensível a hormônios, como o câncer de mama com receptor de estrogênio positivo.

  • Se você sente que bebe mais do que gostaria, converse com seu médico. Existem abordagens com evidência, e o profissional pode avaliar o que faz sentido no seu caso.
  • Não comece a usar kudzu por conta própria. Leve a ideia para a consulta e conte todos os medicamentos e suplementos que você usa.
  • Se o álcool estiver ligado a sofrimento emocional, procure ajuda. O CVV atende 24 horas pelo telefone 188.

Perguntas frequentes

O kudzu fez as pessoas pararem de beber?
Não. O estudo mediu a redução dos dias de consumo excessivo, e não a abstinência.

Posso comprar kudzu e usar do mesmo jeito?
Os autores alertam que os produtos à venda variam e que o resultado vale para o extrato padronizado testado. Qualquer uso deve ser conversado com um profissional de saúde.

Aviso: este conteúdo tem caráter jornalístico e informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento com profissional de saúde habilitado. Espaços publicitários são identificados e não interferem na pauta editorial.

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