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Cardiologistas pedem que o exercício seja prescrito como tratamento

Declaração do Colégio Americano de Cardiologia diz que sair do sedentarismo traz o maior ganho e que 5.000 a 7.000 passos por dia já contam.

Redação Integrativa 5 min de leitura
Pernas de uma pessoa de tênis claros caminhando em uma alameda arborizada com folhas secas pela manhã

O Colégio Americano de Cardiologia (ACC) publicou em 15 de outubro de 2026, na revista JACC, uma declaração científica com um recado direto para consultórios: o exercício físico deve ser prescrito como parte central do cuidado cardiovascular, e não apenas citado como conselho genérico no fim da consulta. O documento se chama “Exercise Prescriptions for Cardiovascular Health in Adults: 2026 ACC Scientific Statement”.

Não se trata de um estudo novo, e sim de uma declaração científica: um documento em que um comitê de especialistas revisa as evidências disponíveis e propõe orientações para a prática. O grupo foi presidido pelo pesquisador Jonathan N. Myers, do sistema de saúde de veteranos de Palo Alto, nos Estados Unidos, e inclui ainda os autores Beckie, Chastin, Fleg, Kitzman, Thompson e Wasfy.

O que o documento diz

A mensagem principal, nas palavras de Myers, é que “alguma atividade é melhor do que nenhuma”. Segundo o ACC, o maior ganho acontece quando uma pessoa inativa passa a se mexer com regularidade, mesmo que pouco. Aumentar o volume e a intensidade traz benefícios adicionais, dentro do que for clinicamente adequado para cada um.

Os pontos centrais, de acordo com o resumo oficial do ACC e a cobertura do documento:

  • Menos de 10 mil passos já conta. Cerca de 5.000 a 7.000 passos por dia estão associados a menor mortalidade cardiovascular e por todas as causas em muitos adultos. Uma meta-análise citada no documento relacionou cerca de 7.000 passos diários a um risco 47% menor de morte por todas as causas e por doença cardiovascular, em comparação com 2.000 passos.
  • Meta semanal. Para adultos saudáveis e pessoas com doença cardiovascular crônica estável, a referência é de pelo menos 150 minutos por semana de atividade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa, com benefícios que costumam continuar até cerca de 300 e 150 minutos, respectivamente.
  • Força junto com o aeróbico. Para a maioria dos adultos, o treino de resistência (musculação ou exercícios com o peso do corpo) deve ser somado ao aeróbico, pelo menos duas vezes por semana.
  • Prescrição individual. A orientação deve considerar a condição do coração, a capacidade física, os sintomas, os objetivos e as preferências de cada pessoa.
  • Teste de esforço nem sempre. Para a maioria das pessoas sem sintomas ou com quadro clínico estável, o teste de esforço de rotina não é necessário antes de começar. Ele continua útil quando há indicação clínica.
  • Reabilitação cardíaca. Continua sendo a primeira opção para muitos pacientes com doença cardiovascular, e o acesso deve ser ampliado. Quem não consegue participar de um programa formal deve, ainda assim, receber uma prescrição de exercício individualizada.
  • Tecnologia como apoio. Relógios, pulseiras e reabilitação virtual ou em casa podem ajudar na adesão, especialmente junto de programas estruturados.

O documento também lembra que, para idosos com fragilidade, a recomendação é começar por força, equilíbrio, mobilidade e flexibilidade antes de avançar para exercícios de resistência aeróbica.

Como isso se conecta à saúde integrativa

A saúde integrativa trata o estilo de vida como parte do tratamento, junto com o que a medicina convencional oferece. A declaração do ACC vai na mesma direção ao pedir que o exercício seja tratado como prescrição, com o mesmo cuidado individual de qualquer outra terapia. Myers resume: o exercício é “uma das terapias mais eficazes disponíveis” para prevenir e tratar doenças cardiovasculares.

O documento também reconhece um problema prático: segundo o ACC, a prescrição de exercício é pouco usada no cuidado de rotina, e muitos profissionais recebem pouca formação nisso. Por isso, os autores pedem mais aconselhamento sobre exercício nas consultas, mais acesso a especialistas e à reabilitação, e melhor treinamento das equipes. Para o paciente, isso abre espaço para uma conversa mais completa, em que o movimento entra no plano de cuidado e não fica como recomendação solta.

O que ainda não se sabe

  • Muita evidência é observacional. Os números de passos vêm de estudos que mostram associação, não necessariamente causa.
  • Treino de força sozinho. As evidências de que o treino de resistência, isoladamente, reduza eventos cardiovasculares são menos extensas.
  • Insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada. O exercício melhora a capacidade física e a qualidade de vida, mas o efeito sobre eventos graves ainda é incerto.
  • Tempo sentado. Segundo a cobertura do documento, o exercício semanal não compensa totalmente os riscos associados a passar muito tempo sentado.
  • Desigualdade. Custo dos aparelhos, pouca familiaridade com tecnologia e falta de acesso podem ampliar desigualdades em saúde.
  • Lacunas de pesquisa. Os autores pedem estudos de longo prazo sobre adesão, resultados clínicos, populações diversas e formas de oferecer esses programas em larga escala.

Na prática

  • Se você está parado, comece por algo possível. O documento reforça que o maior benefício vem justamente de sair do sedentarismo.
  • Se você tem doença do coração, pressão alta, insuficiência cardíaca ou outra condição crônica, converse com seu cardiologista sobre uma prescrição de exercício feita para você, e pergunte se a reabilitação cardíaca é indicada.
  • Peça orientação de um profissional de educação física para incluir treino de força com segurança.
  • Pessoas com quadros cardíacos instáveis ou certas cardiomiopatias podem precisar de avaliação especializada antes de começar.

Perguntas frequentes

Preciso mesmo dar 10 mil passos por dia?
Não necessariamente. Segundo o ACC, benefícios importantes aparecem bem abaixo disso, por volta de 5.000 a 7.000 passos diários em muitos adultos.

Tenho que fazer teste de esforço antes de começar a caminhar?
Para a maioria das pessoas sem sintomas ou com quadro estável, não é rotina. Quem tem doença cardíaca deve decidir isso com o médico.

Aviso: este conteúdo tem caráter jornalístico e informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento com profissional de saúde habilitado. Espaços publicitários são identificados e não interferem na pauta editorial.

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